O mundo em 140 caracteres
O criador do Twitter, o sistema de mensagens curtas e instantâneas
que se tornou o maior sucesso recente da vida digital, diz que ainda
é cedo para avaliar seu impacto global
Dois anos atrás, o americano Christopher Isaac Stone, mais conhecido pelo apelido de infância Biz Stone, de 35 anos, criou o Twitter em parceria com os amigos Jack Dorsey e Evan Williams. O Twitter, que permite a publicação, em tempo real, de mensagens curtas, de apenas 140 caracteres, tornou-se um fenômeno da internet, com 50 milhões de pessoas cadastradas. O modelo, inspirado nas mensagens de texto de telefone celular, inaugurou uma forma arrebatadora de comunicação via internet. Autor de dois livros sobre as origens e o significado social dos blogs, Stone está entre as 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista americana Time. Ex-funcionário do Google, ele participou do desenvolvimento de outro serviço de mídia social de grande repercussão, o Blogger. Stone chega ao Brasil nesta terça-feira, para participar do Encontro Agenda do Futuro, do Grupo TV1, em São Paulo. De seu escritório, em São Francisco, Stone concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Apenas dois anos depois da fundação do Twitter, a revista Time incluiu seu nome na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Não é cedo demais para virar celebridade?
O caminho está só no começo. Por isso, ainda é cedo para ter plena consciência do que está ocorrendo. A escolha da revista Time foi um prêmio pela dedicação do nosso time, que realmente criou algo especial.
| “Muitas pessoas buscam na internet informações sobre seu microcosmo. Elas querem saber por que está faltando luz ou a razão do barulho na vizinhança e esperam que alguém saiba e coloque na rede” |
O que desperta maior interesse no Twitter?
Fofocas ou notícias?
Nem um nem outro. O que desperta maior interesse são os assuntos relacionados à comunidade em que o usuário está inserido. Observamos que muita gente busca informações sobre seu microcosmo. Ou seja, se falta luz no bairro ou se há um barulho incomum, as pessoas buscam informações no Twitter, sabendo que seus vizinhos estão na mesma situação. É natural esperar que alguém saiba o que está ocorrendo e coloque isso na internet. Nossa ferramenta se tornou uma maneira de alguém se conectar imediatamente com pessoas que estão passando ou que passaram por uma mesma situação. Existe um senso de comunidade, com as pessoas interligadas e sabendo que vão encontrar informações atualizadas sobre interesses em comum. Dessa forma, o que mais movimenta o Twitter não é um tipo de post ou um post específico, mas o conjunto de muitos posts sobre uma enormidade de temas.
Algumas empresas impedem o uso do Twitter por seus funcionários. Não deveria ser o contrário?
É compreensível que as empresas queiram preservar informações internas, confidenciais e que pensem em restringir sua divulgação. Por outro lado, nem sempre uma indiscrição é negativa para a empresa. A repercussão dessas informações pode causar grande benefício, ao aumentar o interesse do público. Pelo menos nos Estados Unidos, esse é um fenômeno que já ocorreu com muitos programas de televisão. Várias empresas usam esse recurso como marketing. Mas ainda é preciso testar possibilidades para estabelecer os limites dessa ferramenta.
Barack Obama abusou do Twitter para mobilizar os eleitores e arrecadar fundos na campanha. Isso não torna as eleições mais superficiais?
A internet foi criada para dar a todos a possibilidade de obter e publicar informações. Essa troca livre e desimpedida é muito poderosa. O problema era a barreira técnica. Muita gente deixa de publicar na internet por desconhecer a linguagem técnica do meio. O Twitter reduziu essa barreira. O único requisito para publicar é saber digitar. Os políticos precisam estar conectados com seus eleitores. Como o Twitter permite a conexão direta, é natural que tenha se tornado uma ferramenta presente nas campanhas políticas. Não há nada de errado nisso. Quanto mais pessoas compartilharem informações, melhor para todos.
A revolta popular contra a fraude eleitoral no Irã foi chamada de “Revolução do Twitter”. Surgiu um novo inimigo das ditaduras?
Acredito que a troca e a circulação de informações podem ter, sim, um impacto positivo em escala global. A troca aberta de informações é algo desejado há muito tempo. O que criamos, no fundo, foi uma daquelas raras coisas de que não sabemos que precisamos, até o momento que passamos a usá-las.
As pessoas agora medem seu sucesso pessoal de acordo com o número de seguidores que arrebanham no Twitter. Isso é sadio?
Elas certamente estão oferecendo informações relevantes a outras pessoas. A forma mais eficiente de ter muitos seguidores é “tuitar” informações úteis e de interesse para o maior número de pessoas que compartilham determinado perfil. Nem sempre é preciso ser algo inédito. Pode ser uma citação ou um endereço da web interessante. É natural que as pessoas queiram ter um número cada vez maior de seguidores. Muitas usam o cartão de visita e a assinatura de e-mail para propagandear que já estão no Twitter.
Alguma estratégia de aumentar o número de seguidores no Twitter já o surpreendeu?
A primeira que me vem à cabeça é a foto que o ator Ashton Kutcher publicou da própria mulher, a atriz Demi Moore, de calcinha. Até gostaria de saber se ele teve problemas em casa por causa disso. Foi um sucesso instantâneo.
Que mensagem mais o comoveu?
No ano passado, um estudante da Universidade da Califórnia em Berkeley, James Buck, descobriu que jovens no Egito organizavam protestos usando seus contatos no Twitter. Ele viajou para o Egito para acompanhar uma manifestação e foi preso. Como os policiais não confiscaram seu celular, ele conseguiu “tuitar” uma única palavra: “Preso”. Os amigos que sabiam onde ele estava contataram a embaixada americana. Pouco tempo depois, ele publicou: “Libertado”. O episódio me abriu os olhos para um uso do serviço que eu não imaginava.
O Twitter é a quarta entre as redes sociais mais acessadas no Brasil, com 10 milhões de visitantes por mês. O sucesso no Brasil o surpreendeu?
Há apenas dois anos nem sequer tínhamos certeza de que alguém gostaria da nossa ideia. Mas não posso dizer que o sucesso no Brasil tenha sido uma surpresa total, porque já sabia da popularidade das redes sociais no país. Parece que a vontade de se conectar com outras pessoas é algo intrínseco à cultura do brasileiro.
Qual a principal diferença entre o Twitter e outras redes sociais, como o Orkut e o Facebook?
Nas redes sociais, a pessoa é obrigada a seguir quem o segue. Ou seja, para ter acesso às informações de alguém, é preciso que essa pessoa também esteja na sua rede de contatos. No Twitter, não. Não há necessidade de reciprocidade para seguir alguém. Você pode não seguir ninguém e ter milhares e até milhões de seguidores.
| “Hoje, 4 bilhões de pessoas têm celular, mas apenas 1,5 bilhão acessam a internet. Em alguns anos, qualquer pessoa, não importa onde viva, participará de redes sociais e usará ferramentas como o Twitter” |
Como ocorreu com outros sucessos digitais, o destino do Twitter é ser vendido logo?
Não temos nenhum interesse em falar sobre vender a ferramenta. Estamos construindo uma companhia que é nossa e que ainda estará viva por muito tempo.
Sem publicidade, qual será o modelo de negócio dessa rede que vocês criaram?
Somos uma empresa muito jovem. Temos outras prioridades. Precisamos nos concentrar em expandir o serviço e ter a certeza de que o Twitter se tornará uma ferramenta indispensável na vida das pessoas. Estamos abrindo portas, mas a exploração comercial não é nossa maior preocupação no momento.
Os investidores que deram dinheiro a vocês não pressionam para chegar a algum modelo que dê lucro?
Queremos inventar uma fórmula que não aborreça o usuário. Estamos trabalhando na criação de ferramentas desenvolvidas para empresas. Até o fim do ano, vamos ter contas específicas para empresas. O serviço terá uma fase inicial experimental. É daí que poderá vir o retorno para quem investiu em nossa ferramenta.
A ideia de cobrar não pode assustar os usuários não comerciais?
Não. O Twitter continuará sendo gratuito para todos. Mas a empresa que quiser poderá ter acesso a ferramentas adicionais, que mostrem se uma mensagem específica fez sucesso ou não, que permitam análises ou a ajudem a ser mais atraente para o público que deseja alcançar. Além disso, haverá uma espécie de certificação de que aquele Twitter realmente pertence àquela empresa.
Mantido o atual ritmo de crescimento, o que se pode prever sobre o futuro imediato das redes sociais?
O mundo terá mais mobilidade devido ao acesso móvel à internet. Hoje, 4 bilhões de pessoas têm celular, mas apenas 1,5 bilhão dispõem de acesso à internet. Daqui a alguns anos, qualquer pessoa, independentemente da idade e do local onde viva, participará de redes sociais e usará ferramentas como o Twitter. Acho que haverá uma integração entre as redes sociais, em decorrência não apenas da evolução da tecnologia, mas da vontade das pessoas.
O que não aparece de modo algum em seu Twitter?
Qualquer coisa que desagrade a minha mulher. Não quero ficar em apuros em casa. Não que eu esteja sempre ligado nisso. O que quero dizer é que, de maneira geral, deixo de fora informações de cunho pessoal, que possam fazer com que eu me arrependa mais tarde.
Como o Twitter é rápido e fácil de usar, muita gente acaba revelando nele justamente coisas das quais se arrepende depois…
Eu mesmo já passei vergonha uma vez, um ano atrás. Temos um sistema que permite enviar mensagens sigilosas a um destinatário específico. Escrevi a minha mulher informando a hora de chegada do trem em que eu viajava e pedindo que me encontrasse na estação. A mensagem terminava com um “eu te amo”. Fiz algo errado e mandei essa mensagem a todos os meus seguidores. Quando percebi o engano, já tinha recebido comentários com brincadeiras ou dizendo que me amavam também, mas que não ia dar para me buscarem na estação de trem.
Muita gente expõe de forma excessiva sua intimidade na internet…
As pessoas estão aprendendo que, quando fazem um blog e publicam coisas na rede, não são apenas os amigos que veem e participam de sua vida. Muitas ficam chocadas quando se dão conta de que estão realmente expondo sua vida em um ambiente público. Creio que aos poucos elas vão aprender a selecionar o que realmente querem compartilhar com os outros.
Vi que Biz Stone segue 288 pessoas pelo Twitter. Dá tempo de ler tudo o que elas publicam?
Não vejo problema em seguir muitas pessoas, porque as atualizações são mensagens curtas. Checo minha conta muitas vezes ao dia, mesmo quando estou no supermercado ou no táxi. Quero estar sempre por dentro do que está acontecendo.
Mas são 288 pessoas mandando mensagens o tempo inteiro. Alguma coisa escapa, certo?
Sinceramente, acho que deixo de ler algumas coisas. Mas tudo bem. Essa é a beleza do Twitter. Como as atualizações são curtas e simples, não é preciso preocupar-se com a perda de algumas delas. Outra coisa de que gosto é que, ao contrário do e-mail e das mensagens instantâneas, no Twitter não há necessidade de resposta. Você responde se quiser, e quem publica não tem a expectativa de resposta. Se você ficar longe do Twitter por alguns dias, ninguém vai se zangar com você por isso. Cada dia que passa, eu recebo mais e mais e-mails em minha caixa postal. O e-mail é um sistema impraticável, pois é simplesmente impossível responder a toda a demanda que cria. O Twitter permite fugir dessa obrigação.
Fonte: www.veja.com.br
O fim do anticomunismo
O fim do anticomunismo
EM AGOSTO de 1961, em um único dia, a cidade de Berlim foi dividida por um muro construído pelo governo da Alemanha soviética. Foi um duro golpe para quem ainda acreditava que o socialismo real poderia ser uma alternativa para a humanidade.
Construir muros para impedir que pessoas saiam é sinal de que as coisas vão muito mal.
Um ano antes, os EUA começaram a tomar medidas que levariam a um embargo total contra Cuba, em fevereiro de 1962. Como se fosse pouco, patrocinaram ainda ações militares desastradas para derrubar o regime e arquitetaram sucessivas tentativas de assassinar Fidel Castro.
O muro de Berlim caiu há 20 anos. Por que, afinal, o muro de Cuba só começou a ser desmontado agora? (…)
Assinante da Folha leia o editorial completo “O Fim do Anticomunismo”, por Marcos Nobre, na edição desta terça-feira.
A crise econômica já terminou?
Ouço alguns petistas dizendo que “a crise econômica já terminou”. Diga isso aos 35 mil que perderam vagas de trabalho em março. Seguem os números do editorial da Folha de S. Paulo de hoje:
A escolha do Planalto
Motivação eleitoral do governo Lula alavanca despesas de custeio e prejudica redução da Selic a níveis civilizados
AS VENDAS do varejo cresceram 1,5% em fevereiro em relação ao mês anterior. De acordo com o IBGE, foi a segunda alta consecutiva por esse critério. Com o resultado, o volume de vendas retornou ao patamar de setembro de 2008, antes da queda provocada pela crise. O comércio tem sido relativamente menos abalado em razão de alguns fatores. A taxa de desemprego, por exemplo, não explodiu. Em fevereiro, era de 8,5%, contra média de 7,9% em 2008. Já a queda da inflação representa certo alento no poder de compra da população. A abertura, embora ainda muito discreta, de novas vagas, por outro lado, contribuiu para a expansão da massa real de salários -em fevereiro, era 6,2% superior ao mesmo mês de 2009. A crise, evidentemente, ainda está longe de ser superada. O ritmo dos negócios segue contido, embora a deterioração brusca do final do ano passado tenha sido interrompida. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, a criação de vagas com carteira assinada chegou a 35 mil em março. Mas foi o número mais baixo desde 2003 para o terceiro mês do ano. Em relação ao emprego, a indústria ainda é o setor mais fragilizado. Em março, as fábricas fecharam 35 mil vagas formais. Desde outubro, esse montante chega a meio milhão. O comércio também continuou a demitir. Na construção civil e na agropecuária, entretanto, as contratações aumentaram. Nos serviços também houve abertura de vagas, ainda que em velocidade menor. Certo é que, comparados aos números assustadores de novembro-janeiro -800 mil empregos formais destruídos-, os resultados mais recentes do Caged trazem certo alívio. O mesmo ocorre com a arrecadação tributária. No primeiro trimestre, o recolhimento de tributos foi R$ 11 bilhões menor do que o do mesmo período de 2008. Mas essa queda deve ser relativizada. Não se deve esquecer que, nesse período, houve renúncia fiscal estimada em R$ 6,5 bilhões -a redução do IPI, do IOF, bem como a implantação da nova tabela do IR das pessoas físicas. Apesar do desempenho ruim, o ritmo de queda na arrecadação diminuiu em março. Mas a ação antirrecessiva do governo já desperta sérias preocupações. Ao lado de atitudes necessárias e plausíveis, como o suporte ao crédito e as iniciativas de incentivos à habitação popular, o Planalto deslancha, mais recentemente, uma série de iniciativas que só vão chancelar aumento de gastos públicos, como o salário de servidores, que aliam baixo impacto no alívio dos sintomas da crise à ampliação do passivo fiscal do Estado brasileiro por anos a fio. Há um notório cálculo eleitoral nessa disparada descontrolada das despesas de custeio. Mas não se pode ter tudo. O Executivo federal está sacrificando, também, a oportunidade histórica de o Brasil sair dessa crise com juros básicos civilizados.
A velocidade da informação da internet
- como o pessoal do Twitter vê a evolução da internet:
Jornal: “Lennon foi assassinado ontem”. Blog: “Lennon acaba de ser assassinado”. Twitter: “Lennon está dando autógrafo p/ um esquisitão”
jornal: “titanic naufragou ontem” blog: “titanic acaba de bater em iceberg” twitter: “meu, esse iceberg parece q tá do meu lado”
- Como eu vejo a evolução da internet
Jornal: Pedófilo preso com criança Blog: conheci um amigo muito legal, o tio Hugo Twitter: @tiohugo meu sorvete preferido é o de baunilha
Afiliada da Globo apela para baixaria
Duas coisas me chamaram a atenção nesse clipe da RBS. Primeiro, uma afiliada da Globo se metendo em briga baixaria. Se a moda pega vai ter cinegrafista indo pros inferninhos da vida pra fazer “flagrante”. Perfeito para aqueles programas da tarde que adoram um telebarraco.
Segundo que o repórter diz que o semáforo PAROU por causa da briga. E eu fiquei com uma dúvida: aonde o semáforo estava indo? Essa sim era a matéria!
Vamos emprestar ao FMI para brasileiro ver
Muita gente se animou com a notícia: o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI! Na verdade até o presidente Lula, que antigamente era inimigo nº 1 do Fundo, se animou e disse, logo após a reunião do G20, que “gostaria de entrar para a história como o presidente que emprestou alguns reais ao FMI”. É uma pena, mas a Folha de S. Paulo de hoje informa que o Brasil já foi credor do fundo, situação que durou até 1982. Ou seja, aguns podem até se entusiasmar, mas não há nada de extraordinário nisso. Emprestar ao fundo serve muito mais para impressionar o público interno do que para agradar aos estrangeiros. Vejamos:
Os mais empolgados dirão que o Brasil vai crescer enormemente aos olhos mundiais por causa disso. Mas participam da lista de credores do FMI países tão diferentes os Estados Unidos, o Reino Unido, Trinidad e Tobago e Botsuana. Nessa história toda estamos mais ao lado dos EUA ou de Botsuana? Me diga você, leitor.
O Brasil vai emprestar uma quantia de US$ 4,5 bilhões de um total de US$ 250 Bilhões que serão colocados à disposição do FMI pelos países do G20. Cada um entra com a participação que tem no capital total do Fundo. O Brasil cai com 1,7%. Ou seja, muito bacana, mas não dá pra ninguém imaginar que o Brasil será um gigante tendo uma participação tão modesta. Não dá nem pra dizer que o Brasil está salvando as economias dos país mais fracos. Está no máximo AJUDANDO a salvar, o que é diferente. O colunista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, também pensa assim: “Esse dinheiro estava previsto na cúpula do G20 e há países que se comprometeram a dar muitíssimo mais ou já deram mais. (…) Ser de primeiro ou segundo mundo não depende de emprestar ou não ao FMI, mas de ter educação decente, saúde idem, menos desigualdade, mais segurança e tudo o mais que todos estamos carecas de saber ”
O ministro Guido Mantega acredita que o Brasil vai se beneficiar por emprestar dinheiro ao fundo, pois a medida terá impacto econômico: “Isso vai viabilizar crédito para os países emergentes que estão com problemas, portanto ajuda a ativar a economia mundial. Isso ajudará o Brasil também, pois esses países vão ter mais recursos para importar mercadorias, vão fazer investimento”, disse. Eu só queria saber se o ministro tem a garantia de que o país que pegar dinheiro emprestado com o FMI vai comprar mercadorias do Brasil.
O professor de ambiente econômico global do Ibmec São Paulo, Otto Nogami, acredita que o Brasil ganha destaque com o empréstimo, mas ressalta que “Nossa reserva internacional de US$ 200 bilhões também está relacionada ao forte crescimento apresentado pela China e pela Índia nos últimos anos, e não ao grau de investimento obtido pelo Brasil. Neste início de 2009, os saldos acumulados pela balança comercial do país não se mostram muito favoráveis”. Segundo o professor o Brasil precisa realizar melhorias como a da sua infraestrutura e levar adiante reformas básicas -a tributária e a trabalhista, por exemplo. Dessa maneira, seria possível atrair mais investimentos e impulsionar um desenvolvimento sustentável no longo prazo.
Crônica – O Flanelinha
Inspirado em “Flanelinha cobra R$ 4 por hora no centro”, Folha de S. Paulo de domingo, 14 de dezembro de 2008
Voltou correndo para o carro depois de passar algumas horas fazendo compras no centro da cidade. Nem bem espetou a chave no contato, ouviu uma voz imperativa que parecia de uma autoridade: “O senhor paga 16 reais, doutor!”. Espantou-se com a dívida que acabara de assumir: “Como?”. O rapaz que esperava do lado de fora não disfarçou a impaciência: “É simples, o senhor chegou aqui às duas da tarde, agora são seis horas, o dia já vai terminando… ficou quatro horas na vaga, são quatro reais por hora, portanto… 16 reais!”
Nosso amigo motorista continuava achando tudo muito estranho: “Mas eu estou parado na rua”. “É Dr., mas no meu trecho da rua. Se o senhor estivesse ali mais pra baixo da rua, estaria no trecho do Zóio, lá pra cima é o trecho do Maneta e aqui sou eu, Bola, ao seu dispor. Tomei conta do seu carro direitinho. Estou aqui desde que o senhor chegou. Garanto que vagabundo nenhum sequer se aproximou do seu carro. Agora é justo o senhor pagar pelo meu serviço, não é não?”. O espanto impediu nosso pobre protagonista de dizer que não.
Bola, do alto de sua autoridade como dono do trecho da rua, resolveu explicar como funcionavam as coisas por ali: “a gente estava tendo muito prejuízo, sabe, Dr.? O sujeito vinha aqui, parava o carro no início do dia, só ia embora no final da tarde e dava só uns trocados aí pra nós. Pô, não é justo, a gente chega aqui cedo, fica o dia todo e ganha só uma merreca? Não tem como… daí resolvemos fazer esse sistema do rotativo, o cara paga por hora… assim os caras ficam com medo de pagar muita grana e ralam rapidinho pra dar lugar pra outro carinha pagar também… daí a gente ganha mais uma graninha pro leite das crianças, né?” O motorista não sabia o que responder, limitava-se a fitar com os olhos arregalados aquele rapaz que não teria mais de vinte anos, e talvez fosse muito novo para ter filhos.
Bola continuava sua teoria: “E sai até mais barato, o senhor vê… tem colega por aí que tá cobrando dez reais de motorista que vai ficar só uma hora… é sacanagem… mas aqui a gente cobra o justo, quatro reais por hora… veio rapidinho, vai ficar pouco tempo? Paga menos… mas se vai ficar o dia inteiro, tem que pagar mais”…
Por fim o motorista decidiu-se: “olha, meu amigo, a rua é pública e eu não vou pagar pelo seu sistema ‘rotativo’ não… aqui tem cinco reais, é tudo o que eu tenho”… Bola não se segurou: “ah, Dr., aí vai ficar pequeno, hein? O Sr. sabe, hoje em dia ta muito perigoso deixar o carro por aí, podem mexer no carro do senhor… e se a gente não recebe a gente não pode garantir nada, né? Melhor não parar mais por aqui, hein? Seu carro vai ficar marcado”
Como nosso amigo trabalhava ali por perto, achou melhor não desafiar mais, e acabou pagando os dezesseis reais. Bola voltou a se animar: “Aí sim, hein, Dr.? Olha, o número do meu celular tá aqui nesse cartão… o senhor precisando, liga pra nós que a gente até reserva uma vaguinha pra você. Tá vendo como é bom ser amigo da gente? Tô falando, só tem vantagem…”
Famosos do Twitter contam como conseguiram muitos leitores (followers)
Primeiro foi a Rosana Hermann, que no seu blog Querido Leitor (clique aqui e procure o post “Um robô de fazer sucesso no Twitter”) confessou que fez um truque para ganhar muitos leitores no Twitter. Sabendo que as pessoas, por educação, costumam seguir de volta quem lhes segue, ela usou um script que sai adicionando um montão de gente a esmo. O truque funcionou e logo a conta dela figurava entre as mais populares da rede.
Depois parece que a Twitess também assumiu que fez algo semelhante e usou um script para aumentar o número de seguidores que ela tem.
Por causa disso muita gente reagiu mal. O Kibeloco passou a segunda-feira toda falando sobre isso e o blog Goma de Mascar fez um post descendo a lenha no esquema artificial para atingir popularidade. O Cardoso em seu famoso Contraditorium comparou a estratégia de subir a popularidade artificialmente ao cara que sobe o Pico da Bandeira de helicóptero só pra tirar a foto dizendo que subiu a pé! E eu conheço gente que deixou de seguir a Rosana Hermann por decepção com a história.
Agora um dos caras mais respeitados da Blogosfera, o Edney, abriu o jogo também: não usou script mas teve seus truques para subir no ranking de seguidores do Twitter.
Isso significa, meus caros, que nem os mais populares dos populares do Twitter chegaram aos dez, vinte mil seguidores apenas por serem conhecidos. A maioria deu uma anabolizada nos números. Isso significa o que? Que devemos ter raiva deles? Acho que não.
Em resposta ao post do Edney eu deixei este comentário que resume o que penso sobre o assunto:
“Gostei muito da sua sinceridade em contar como conseguiu a marca de 21 mil seguidores. Tenho certeza de que a Rosana vai ficar contente de saber disso. Afinal, creio que isso veio em virtude da polêmica causada depois que ela admitiu publicamente que usou um script para inflar o número de seguidores. Agora o Edney mostra que, de certa maneira, também inflou sua lista.
Acho que o que está em jogo aqui é o conceito de popularidade que temos no Twitter. Esse lance todo serve pra mostrar que está na hora de pararmos de medir quem é o melhor ou o mais legal no microblog pelo número de seguidores. Meu critério de seleção de quem eu sigo é um pouco diferente do Edney porque nunca me preocupei com o número de seguidores: eu só sigo de volta quem eu percebo que tem algo interessante a dizer. Toda vez que alguém me adiciona eu vou lá e dou uma visitada no perfil da pessoa. Se percebo que ela só fala groselha pulo fora. Mas quando vejo dicas legais e coisas interessantes (Pílulas de sabedoria como disse o Edney) eu vou lá e clico.
Acho que está na hora da gente parar de ver quem tem mais seguidores pra se preocupar em ver quem tem algo legal a dizer!”
O Calegaretti, em seu blog do Emmo, também deu uma resumida na história e complementou com a opinião dele. Vale a pena conferir.
O assunto também foi tema de matéria no IDG NOW!: Script para adicionar pessoas em massa causa nova polêmica no Twitter
Jornalista se confunde e dá ao Frontal propriedades erradas
Diz o texto do “Extra” on line:
“Joana Machado, ex-namorada de Adriano e apontada como o motivo da depressão do jogador (desaparecido desde a última quinta-feira) conversou ontem com a coluna sobre o craque. Pela primeira vez, alguém próximo ao atleta falou abertamente sobre os problemas que atingem Adriano: “Ele já passou por um psicólogo que recomendou que ele tomasse Frontal (anti-depressivo), mas ele se recusou”, contou Joana. A loura revelou que esta não é a primeira vez que ele desaparece. “Já tirei ele várias vezes de dentro da favela. Ia de moto-táxi, sozinha e levava ele para treinar”, conta.”
Tudo muito bem não fosse o fato de que o Frontal não é um anti-depressivo. Jornalista não deveria agir com base no achismo. Uma simples pesquisa no Google me deu a confirmação do que eu já suspeitava:
Segundo o Psicosite ”o frontal é o alprazolam, um tranqüilizante”
Segundo A BULA DO REMÉDIO DISPONÍVEL NA WEB ele é indicado para o “tratamento de estados de ansiedade”
Até onde eu saiba o Frontal é um remédio muito usado para dormir, que nada tem a ver com quadros de depressão. Se a jornalista quisesse se aprofundar no assunto, poderia ter consultado um médico sobre que tipos de quadros clínicos poderiam estar associados ao remédio a que o jogador foi receitado.
Folha estimula a pirataria
Por essa eu não esperava. O maior jornal do país divulgando a pirataria abertamente! É o que se descobre lendo a edição desta terça-feira da Folha de S. Paulo, no Caderno Ilustrada sob o título “O Mouse que Ri”, assinado por Kike Martins da Costa. Diz o texto:
“1001 discos para baixar antes de morrer”
O site de downloads Xxx, inspirado no livro “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer”, de Robert Dimery, no qual o autor indica os discos mais importantes da história segundo levantamento feito com 90 jornalistas e críticos, colocou links para downloads gratuitos (e ilegais) de quase todos os álbuns citados nessa obra.”
Ou seja, o jornal está divulgando o link de um site que atua ilegalmente! Que será que o pessoal da APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música) vai achar disso???
Dizer que o download é ilegal e baixar o link é tão falacioso quanto os sites para download dizerem que “não promovem a pirataria porque só indicam os links para baixar os arquivos, mas não os hospedam”, ou seja, balela pura.
ps.: a Folha dá o link pro site mas eu, pra não estimular a pirataria, não vou fazer o mesmo aqui. Quem quiser consulte o jornal que tá lá!
ps2: Ou a Folha assume editorialmente que é favorável ao download ou é melhor não divulgar link aonde se pode baixar músicas. Se não, pela mesma lógica, daqui a pouco estão divulgando endereço de clínica que faz aborto mas com o aviso: cuidado, aborto no Brasil é proibido, hein!
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