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	<title>Eduardo Marcondes</title>
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		<title>Eduardo Marcondes</title>
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		<title>O Amigo de Marcos</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 15:57:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Eduardo Marcondes Chovia forte. Marcos Alcaide caminhava a passos largos, espirrando a água por onde passava. Tinha nas mãos um guarda chuva que já não lhe protegia. As costas da camisa já estavam encharcadas e as calças molhadas até o joelho. Mas ele prosseguia com seu andar que parecia decidido. Tentava fugir de  tudo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=321&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Eduardo Marcondes</strong></p>
<p>Chovia forte. Marcos Alcaide caminhava a passos largos, espirrando a água por onde passava. Tinha nas mãos um guarda chuva que já não lhe protegia. As costas da camisa já estavam encharcadas e as calças molhadas até o joelho. Mas ele prosseguia com seu andar que parecia decidido. Tentava fugir de  tudo. Esquecer o que lhe afligia. Não sabia para onde ir e caminhava sem rumo, a esmo.</p>
<p>Trazia nos bolsos tudo aquilo o que sempre trazemos conosco, à não ser, é claro, os que não fumam. Sim, porque além da carteira, do smartphone e algumas chaves, ele tentava proteger o maço e o isqueiro. Mas era inútil. A umidade já havia penetrado pelo tecido inutilizando pelo menos os cigarros mais da ponta. Foi o que descobriu quando parou debaixo de uma marquise para acender um deles. Dois ou três se esfacelaram quando tentou puxar e, por fim, encontrou um cigarro torto, amassado, mas que serviria para lhe aplacar o vício.</p>
<p>Acendeu um Marlboro desses de filtro laranja com dificuldade, depois de tentar inúmeras vezes o isqueiro. Por fim, pôs-se a olhar as pessoas que passavam, correndo para se abrigar da chuva. E postou-se ali, xingando cada motorista que passava espirrando água para todos os lados, inclusive nele. Parecia nervoso. E estava nervoso. A fumaça que lhe saía dos pulmões não levava embora a lembrança que lhe atormentava, uma tortura que era verdadeira punição. Ele ainda não conseguia se acalmar.</p>
<p>Estava parado exatamente na porta de uma lanchonete. Uma lanchonete suja, com ladrilhos amarelados nas paredes, cujas bordas estavam imundas de fuligem. O cheiro de gordura que vinha da chapa escura era nauseante. Algumas pessoas comiam sanduíches indiferentes a tudo aquilo. Mas um rapaz moreno, magro, que tinha maionese e mostarda escorrendo pelas mãos enquanto dava dentadas enérgicas em um sanduíche com um recheio que escapava do pão olhava para ele de um jeito estranho, enquanto mastigava lentamente.</p>
<p>O sujeito tinha um jeito meio malandro, e parecia sorrir um sorriso discreto, irônico. Usava uma camisa de uma cor branca desmaiada, com estampas desbotadas, aberta até a metade da barriga exibindo o peito. Vestia ainda um jeans surrado e um tênis gigantesco, de cano alto, remendado com uma daquelas fitas prateadas. E continuava olhando para ele, fitando-o com aquele ar sarcástico e inquietante. Até que estendeu a mão displicentemente, apontando um assento vazio à sua frente: </p>
<p>-         “Dr. Alcaide, há quanto tempo. Aceita um refrigerante?” </p>
<p>Marcos olhava fixamente para aquele rapaz com jeito tão estranho. De onde o conhecia? Como saberia seu nome? Atraído por estas dúvidas, aproximou-se, desconfiado. Tanto que sentou-se no banquinho deixando o guarda chuva ao colo, mesmo molhando toda a roupa, como se aquilo pudesse lhe dar alguma proteção. Foi logo pedindo para o rapaz se identificar:</p>
<p>-         “Quem é você?”</p>
<p>O rapaz sorriu sem alguns molares:</p>
<p>-         “Claro que o Sr. não lembra de mim, não é, Dr. Marcos? Mas eu me lembro do Sr.! Lembro muito bem. Trabalhei na sua empresa de engenharia, se recorda? Eu era mensageiro&#8230;”</p>
<p>Marcos não lembrava:</p>
<p>-         “Ah, claro que me lembro! Você ajudava muito a Dona Teresa, nossa secretária.” – arriscou.</p>
<p>O rapaz sorriu satisfeito:</p>
<p>- “Mas não deve se lembrar do meu nome. O pessoal lá me chamava de Toninho” – limpou-se em um guardanapo de papel e estendeu a mão engordurada, que Marcos apertou rapidamente, disfarçando o asco que sentia.</p>
<p>-  “ O Sr. deve estar perdido. Andando assim, na chuva, todo molhado, aqui pela Brigadeiro Luiz Antônio. O Sr. já abriu outro escritório?”</p>
<p>Marcos Alcaide sentiu-se pior do que já estava com aquilo tudo. Agora até aquele rapazinho, metido a esperto, formulava com um ar maroto a pergunta que muitos faziam. “Quando vai abrir um outro negócio?” Respondeu contrariado, quase grunhindo com o canto da boca:</p>
<p>-  “Isso não é da sua conta. Eu tive minha licença profissional cassada.”</p>
<p>Toninho não perdeu a pose:</p>
<p>-         “Ah, mas isso deve ser fácil para o Sr., um homem rico, com tantas influências. O Sr. tem uns amigos que são deputados, não é? Tinha uns vereadores aí no bolso&#8230; é pessoa influente!”</p>
<p>Marcos Alcaide arregalou os olhos enquanto amassava alguns guardanapos na mão. Como aquele moleque, que não devia ter mais de 22 anos, podia falar tudo aquilo? Como ficou sabendo de alguma coisa? A resposta veio do próprio rapaz:</p>
<p>-         “O Sr. deve estar espantado, não é? Não se preocupa não. Eu sou uma pessoa confiável. Lá na Vila me chamam de “Truta do bem” por causa disso. Algumas secretárias lá da firma me contavam algumas coisas&#8230; foi assim que eu fiquei sabendo, mas o seu segredo morre comigo.”</p>
<p>Marcos Alcaide não estava confortável. Mexia-se na cadeira mas não achava a melhor posição. O motivo do desconforto estava mesmo diante dele. Que mais aquele moleque sabia? Procurou outro cigarro no maço amarrotado. Toninho estendeu-lhe uma caixinha da mesma marca, Marlboro, mas daqueles falsificados vendidos em camelôs.</p>
<p>- “O que foi que te contaram?” – Marcos perguntou enquanto acendia o cigarro oferecido, segurava a fumaça no peito e tentava não reparar na barata que caía da coifa em cima da chapa de lanches. O rapaz parecia entusiasmado:</p>
<p>-  “O Sr. não precisa se preocupar não, viu? Teus segredos estão bem guardados. Eu admiro muito o Sr., e quando tiver uma nova firma, eu volto a trabalhar com vocês sem problema. Eu nem acreditei muito no que me contaram&#8230; essas histórias de dar golpe, isso pra mim é conversa fiada. O Sr. é um homem muito digno, que eu respeito muito. Essa é a verdade.”</p>
<p>Marcos Alcaide sentia vontade de vomitar. A visão da barata agonizando no meio da gordura quente, em cima da chapa, se misturava ao jeito impertinente de Toninho falar, tentando fazer amizade. O cigarro aumentava o enjôo mas ele não queria apagá-lo. Pediu uma Coca Cola ponderando que pelo menos um produto assim, engarrafado, não podia lhe fazer mal. O refrigerante foi trazido com a garrafa gelada, mas o líquido estava meio quente. E o rapaz já não queria mais parar de falar:</p>
<p>-         “Quem me contou tudo foi a Dona Quitéria, depois que eu levei ela pro Drive In” – e fez um gesto obsceno com a mão, um sinal de sacanagem.</p>
<p>Marcos Alcaide não conteve o espanto:</p>
<p> -         “Mas ela tinha uns cinqüenta anos, era uma mulher muito gorda !!! Cuidava da agenda do Rodolfo&#8230;”</p>
<p> Toninho nunca perdia o gingado:</p>
<p> - “Era feia, né, Dr. Marcos? Mas ela me dava uma grana pra eu comer ela. O Sr. sabe, mulher nessa idade fica difícil arranjar um moço que nem eu. Mas eu não beijava ela não, que eu não sou de agarrar baranga. Mas acho que o Sr. vai me entender&#8230; é isso o que nos aproxima. Nós dois fazemos as coisas por grana&#8230; é que eu só ganhei uns trocados” – Toninho sorria novamente exibindo os dentes imperfeitos. Marcos Alcaide regurgitava o refrigerante, estava cada vez mais enjoado. Tinha vontade de dar um murro na mesa, mas foi tomado por uma sensação de impotência que bloqueava suas ações.</p>
<p>Nada faria o rapaz parar de falar:</p>
<p>-  “O Sr. sabe que eu não o culpo de nada. Acho uma tremenda duma sacanagem o que lhe fizeram. Eu sei que o Sr. vendeu uns prédios que não existiam&#8230; falou que ia construir, levou a grana. Nada mais justo, ué? O mundo é dos espertos! É que nem eu, Dr. Marcos, sei que só tem trouxa nesse mundo! E quando cai na minha, já era. Já dei muito trambique por aí. Já vendi fumo dos ruins, desse que a gente mistura bosta mesmo, pra esses bacanas otários que vão lá na Vila com uns puta carrão.”</p>
<p><em>O engenheiro Marcos Alcaide, com 45 anos, destruiu uma empresa bem estabelecida, a Alcaide Empreendimentos, depois de um golpe na praça que foi divulgado em todos os jornais, na televisão, no rádio e até na Internet. Lesou 342 pessoas vendendo incorporações que não existiam. Levantava apenas as fundações dos edifícios para poder pedir a entrada do alto valor que cobrava pelos imóveis.</em></p>
<p><em> </em><em>Foi denunciado por um repórter que gravou tudo com uma câmara escondida. O jornalista comprou uma unidade e depois acompanhou o caso, registrando inclusive as desculpas que ele dava para que o projeto nunca saísse do papel. A exibição da denúncia foi a gota d´água para as inúmeras queixas que se acumulavam sem resposta no Procon. Alcaide agora respondia a processos na vara civil e criminal. Gastava uma fortuna com advogados que tentavam salvá-lo, tentando justificar o inexplicável. O registro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura havia sido cassado e, com o nome da lama, era difícil arranjar algum lugar para trabalhar.  Ninguém o compreendia.</em></p>
<p>Menos o desagradável office boy que sorria à sua frente, sentia-se amigo e queria ajudar:</p>
<p>-         “Olha, Dr. Marcos, eu tenho certeza que o Sr. vai se sair bem dessa. Figurão, muito bacana, taí todo molhado, com cara de triste, mas eu sei que o Sr. tem grana. E é isso que vai livrar o Sr.. Sorte sua viver nesse país. Aqui, gente como a gente tem aos montes. O Sr. vai ver só. Em breve vamos voltar a trabalhar juntos, não esquenta não.”</p>
<p>Marcos Alcaide levantou-se enquanto o chapeiro retirava a barata estorricada de cima da chapa com uma espátula. Largou o guarda chuva e correu para a porta, pisando na calçada molhada pela tempestade que caía havia poucos instantes. Fez sinal para um táxi e mandou seguir direto para o flat em que estava hospedado depois da venda da mansão em que morava. Lamentou não ter a mulher em casa para lhe consolar, porque a vontade era deitar-se no colo dela e chorar que nem criança. Mas a esposa já o havia abandonado levando os filhos, e namorava com o dono de uma empreiteira concorrente. Da lanchonete da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, Toninho ainda gritava:</p>
<p>- “Boa sorte, Dr. Alcaide. O Sr. vai precisar. Quando estiver de volta, eu procuro pelo Sr.”. – Voltou-se para o chapeiro e disse: &#8211; “Gente importante é assim mesmo, sempre com pressa! Nem deu tchau, meu&#8230;”.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/321/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=321&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ausência</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 05:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=313&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><ins><ins></ins></ins></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="550">
<tbody>
<tr>
<td><span style="color:#800000;"><strong>E</strong>u deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces<br />
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.<br />
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida<br />
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.<br />
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.<br />
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados<br />
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada<br />
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.<br />
Eu deixarei&#8230; tu irás e encostarás a tua face em outra face.<br />
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.<br />
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.<br />
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.<br />
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.<br />
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.<br />
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.<br />
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.<br />
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.<br />
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.</span></p>
<p><strong><span style="color:#800000;">Vinícius de Moraes</span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/313/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/313/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=313&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O mito do amor romântico</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 05:31:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Jung]]></category>
		<category><![CDATA[mito]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Robert A. Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[romantico]]></category>
		<category><![CDATA[romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor romântico é o maior sistema energético dentro da psique ocidental. Na nossa cultura, é — mais ainda que a própria religião — a arena em que homens e mulheres tentam conseguir transcendência, plenitude, êxtase e sentido para a vida. Como fenómeno de massa, o amor romântico é pe­culiar ao Ocidente. Estamos tão acostumados [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=311&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amor romântico é o maior sistema energético dentro da psique ocidental. Na nossa cultura, é — mais ainda que a própria religião — a arena em que homens e mulheres tentam conseguir transcendência, plenitude, êxtase e sentido para a vida.</p>
<p>Como fenómeno de massa, o amor romântico é pe­culiar ao Ocidente. Estamos tão acostumados a convi­ver com as crenças e as suposições do amor romântico, que o consideramos como a única forma de &#8220;amor&#8221; que pode gerar casamento e relacionamentos verdadeiros. Achamos que o amor romântico é o único &#8220;verdadeiro amor&#8221;. Mas existem muitas outras coisas a este respei­to que podemos aprender do Oriente. Nas culturas orientais, como a da índia ou a do Japão, constatamos que os casais se amam com muita cordialidade, muitas vezes com uma devoção e uma estabilidade que desco­nhecemos.</p>
<p>Mas o amor deles não é o &#8220;amor romântico&#8221; como nós o conhecemos. Eles não impõem aos seus relacionamentos os mesmos ideais que impomos aos nossos,  nem fazem exigências impossíveis ou alimentam expec­tativas como nós fazemos.</p>
<p>O amor romântico não é apenas uma forma de &#8220;amor&#8221;, mas é todo um conjunto psicológico — uma combinação de ideais, crenças, atitudes e expectativas. Essas ideias, frequentemente contraditórias, coexistem no nosso inconsciente e, sem que percebamos, dominam nossos comportamentos e reações. <strong>Inconscientemente, predeterminamos como deve ser um relacionamento com outra pessoa, o que devemos sentir e mesmo o que devemos &#8220;lucrar com isso&#8221;.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O amor romântico não significa apenas amar alguém; significa &#8220;estar apaixonado&#8221;. Este é um fenó­meno psicológico muito peculiar. Quando estamos &#8220;apaixonados&#8221;, acreditamos ter encontrado o verdadei­ro sentido da vida revelado num outro ser humano. Sentimos que finalmente nos completamos, que encon­tramos as partes que nos faltavam. A vida, de repente, parece ter atingido uma plenitude, uma vibração sobre-humana, que nos ergue acima do plano comum da exis­tência. Para nós, estes são os sinais seguros do &#8220;amor verdadeiro&#8221;. <strong>Este conjunto psicológico inclui uma exi­gência inconsciente de que o nosso amante ou cônjuge nos alimente continuamente com esta sensação de êxta­se e de emoção intensa.</strong><strong></strong></p>
<p>Com a típica presunção ocidental de estarmos sem­pre com a razão, achamos que o nosso conceito de &#8220;amor&#8221;, o amor romântico, deva ser o melhor. Presu­mimos que, comparado a este, qualquer outro tipo de amor entre homens e mulheres seria frio e insignifican­te. Mas se nós, ocidentais, formos realistas, teremos de admitir que o nosso enfoque do amor romântico não está funcionando bem.</p>
<p>Apesar do êxtase que sentimos quando estamos &#8220;apaixonados&#8221;, <strong>passamos boa parte do nosso tempo com uma profunda sensação de solidão, alienação e frus­tração causada pela nossa incapacidade de construir re­lacionamentos afetuosos, baseados em compromissos.</strong> <strong>Culpamos geralmente os outros por nos terem falhado; não nos ocorre que talvez sejamos nós que precisemos modificar nossas próprias atitudes inconscientes — as expectativas que alimentamos e as exigências que im­pomos aos nossos relacionamentos e às demais pessoas.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Esta é a grande ferida na psicologia ocidental, é o problema psicológico básico da nossa cultura. Jung disse que se descobrimos a ferida psíquica num indiví­duo ou num povo, aí descobrimos também o caminho para a conscientização, pois é no processo de cura das nossas feridas psíquicas que acabamos por nos conhecer a nós mesmos. O amor romântico, se realmente tentar­mos compreendê-lo, pode tornar-se tal caminho para a conscientização. Se os ocidentais se libertarem da servi dão maquinal às suas presunções e expectativas incons­cientes, não apenas atingirão uma nova consciência em seus relacionamentos como também uma nova consciên­cia de si próprios.</p>
<p>O amor romântico se tem manifestado em muitas culturas no desenrolar da história. Nós o encontramos na literatura da Grécia antiga, no Império Romano, na antiga Pérsia e no Japão feudal, mas a nossa sociedade ocidental moderna é a única cultura da história que teve a experiência do amor romântico como um fenómeno de massa. Somos a única sociedade a cultivar o ideal do &#8220;amor romântico&#8221; e a fazer do romance a base de casa­mentos e relacionamentos amorosos.</p>
<p>O ideal do amor romântico irrompeu na socieda­de ocidental durante a Idade Média, surgindo pela pri­meira vez na literatura no mito de <em>T ris tão e I solda, </em>de­pois nos poemas e nas canções de amor dos trovadores. Era conhecido como &#8220;amor cortês&#8221; e tinha por mode­lo o intrépido cavaleiro que honrava uma bela dama e fazia dela a sua inspiração, o símbolo de toda a beleza e perfeição, o ideal que o incentivava a ser nobre, espi­ritualizado, refinado e voltado para assuntos &#8220;eleva­dos&#8221;. Na nossa época introduzimos o amor cortês nos casamentos e nos relacionamentos sexuais, mas <strong>ainda mantemos a crença medieval de que o amor verdadeiro tem de ser a adoração extática de um homem ou de uma mulher que representa para nós a imagem da perfeição.</strong></p>
<p>Jung nos mostrou que quando um fenómeno psi­cológico marcante acontece na vida de um indivíduo, isto significa que um tremendo potencial inconsciente está emergindo, prestes a manifestar-se ao nível da consciência. O mesmo é válido para as coletividades. Num determinado ponto da história de um povo, uma nova possibilidade surge do inconsciente coletivo; é uma nova ideia, uma nova crença, um novo valor ou, ainda, uma nova maneira de encarar o universo. Isto representa um bem em potencial, se puder ser integra­do ao consciente, mas a princípio é assustador e até mesmo destrutivo.</p>
<p>O amor romântico é um desses fenómenos psico­lógicos realmente arrasadores que surgiram na história dos povos ocidentais. Foi algo que esmagou nossa psi­que coletiva e alterou permanentemente nossa visão do mundo. Ainda não aprendemos a lidar coletivamente com o tremendo poder do amor romântico. <strong>Frequente­mente nós o transformamos em tragédia e alienação e não em relacionamentos humanos duradouros.</strong> Acredi­to, porém, que se homens e mulheres compreenderem os mecanismos psicológicos que atuam por trás do amor romântico e aprenderem a lidar com eles conscientemente, terão nas mãos a chave para novas possibilida­des de relacionamento, tanto com os outros como con­sigo mesmos.</p>
<p>Nosso veículo para explorar o amor romântico é o mito de <em>Tristão e Isolda. </em>Trata-se de um dos mais comoventes, belos e trágicos de todos os grandes rela­tos épicos. Foi a primeira história na literatura ociden­tal a lidar com o amor romântico, e é a fonte da qual se originou toda a nossa literatura romântica, desde. Romeu e Julieta até a história de amor em cartaz nos cinemas do bairro. Aplicando os princípios da psicolo­gia jungiana, interpretaremos os símbolos do mito e co­nheceremos por ele as origens, a natureza e o significa­do do amor romântico.</p>
<p>O mito de <em>Trist</em><em>ão e Isolda, </em>como o de <em>Parsifal, é </em>um &#8220;mito masculino&#8221;. Ele retrata a vida do jovem Tristão que se transforma num herói nobre e altruísta, para depois se deparar com uma experiência arrasadora em sua vida: a paixão pela Rainha Isolda. É como uma simbólica peça de tapeçaria, que retrata em cores vivas o desenvolvimento da consciência individual do homem na luta para conquistar sua masculinidade, conscientizar-se do seu lado feminino e lidar com o amor e o re­lacionamento. É uma história que mostra um homem dividido entre a lealdade e as forças conflitantes que se agitam ferozmente na psique masculina, enquanto ele é consumido pelas alegrias, paixões e sofrimentos do romance.</p>
<p>Mesmo assim, existe neste mito muita coisa de grande valor e interesse para as mulheres, pois Tristão revela também o mecanismo universal do amor român­tico que é comum a homem e mulheres (ver &#8220;Uma observação para as mulheres&#8221;). Examinar esse mito, senti-lo como uma rica evocação do processo da psique ocidental, é algo que irá ajudar a mulher não apenas a compreender melhor o homem na sua vida, como tam­bém a ver mais claramente as forças misteriosas que atuam dentro dela mesma.</p>
<p>Tanto para o homem quanto para a mulher, en­xergar realisticamente o amor romântico é uma tarefa heróica. É algo que nos força a ver não apenas a beleza e o potencial contidos no amor romântico, como tam­bém as contradições e as ilusões que trazemos conosco ao nível inconsciente. Jornadas heróicas conduzem sem­pre a vales sombrios e a confrontos difíceis mas, ao perseverarmos, alcançaremos um novo estágio de conscientização.</p>
<p>De “We – <a title="Para comprar o livro" href="http://shopping.uol.com.br/livros.html?q=chave+psicologia+amor+romantico&amp;ref=homeuol&amp;ad=on&amp;y=11&amp;x=71" target="_blank">A chave da psicologia do amor romântico</a>” – Robert A. Johnson Ed. Mercuryo</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/311/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=311&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O amor no mundo contemporâneo</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 03:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Capítulo 33 do livro Filosofando de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins editora Moderna &#8211; 1986 &#8220;Na sociedade contemporânea, fala-se e escreve-se muito sobre sexo e quase nada sobre o amor. Talvez seja pelo fato de que o amor, sendo um engimga, não se deixa classificar, repelindo toda tentativa de classificação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=309&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Capítulo 33 do livro<br />
<strong>Filosofando</strong><br />
de Maria Lúcia de Arruda Aranha e<br />
Maria Helena Pires Martins<br />
<em>editora Moderna</em> &#8211; 1986</p>
<p>&#8220;Na sociedade contemporânea, fala-se e escreve-se muito sobre sexo e quase nada sobre o amor. Talvez seja pelo fato de que o amor, <strong>sendo um engimga</strong>, não se deixa classificar, repelindo toda tentativa de classificação ou definição. Por isso, a poesia, campo mítico por excelência, encontra na metáfora a compreensão melhor do amor.Realmente, a literatura nunca deixou de falar do amor.</p>
<p>Talvez este vazio conceitual se deva à dificuldade de expressão do amor no mundo contemporâneo. O desenvolvimento dos centros urbanos criou o fenômeno da &#8220;multidão solitária&#8221;: as pessoas estão lado a lado, mas suas relações são de contigüidade, relações que dificilmente se aprofundam, sendo raro o encontro verdadeiro. Talvez o falar muito sobre sexo seja uma tentativa de camuflar a impessoalidade fundamental dessas relações, na medida em que o contato físico simula o encontro.</p>
<p>No entanto, não só as relações entre duas pessoas se acham empobrecidas. O afrouxamento dos laços familiares &#8211; não importa aqui analisar as causas nem procurar a validade da situação &#8211; lançou as pessoas num mundo onde elas contam apenas consigo mesmas. (&#8230;)</p>
<p><strong>Os paradoxos do amor</strong><br />
<strong>Vínculo x liberdade</strong></p>
<p>O amor, sendo desejo de união com o outro, estabelece, no entanto, um tipo de vínculo paradoxal: o amante deve cativar para ser amado livremente. Podemos mesmo dizer que o fascínio é gerador de poder: o poder de atração de um sobre o outro. No entanto, tal &#8220;cativeiro&#8221; não pode ser entendido como ausência de liberdade, pois a união deve ser a condição da expressão cada vez mais enriquecida da nossa sensibilidade e da nossa personalidade. É fácil observar isso na relação entre duas pessoas apaixonadas: a presença do outro é solicitada na sua espontaneidade, pois são os dois que escolhem livremente estar juntos.</p>
<p>O amor imaturo, ao contrário, é exclusivista, possessivo, egoísta, dominador. Mas não é fácil determinar quando o poder gerado pelo amor ultrapassa os limites. Vimos que a força do amor está na atração que um exerce sobre o outro. <strong>Em que momento isso se transforma em um desejo de controlar, de manipular?</strong></p>
<p>A sociedade capitalista, centrada no valor do &#8220;ter&#8221;, desenvolve formas possessivas de relação. O ciúme exacerbado é o desejo de domínio integral do outro. Marcel, personagem de Proust, inquieta-se quando varado de ciúme até dos pensamentos de sua amada Albertine. Só descansa quando a contempla adormecida&#8230;</p>
<p>Não queremos dizer que o ciúme não deva existir. Etimologicamente, <em>ciúme</em> significa &#8220;zelo&#8221;: o amor implica cuidado e temor de perder o amado. Portanto, se não desejamos o rompimento da trama tecida na relação recíproca e se o outro dá densidade à nossa emoção e enriquece nossa existência, sofremos até com a idéia da perda.</p>
<p><strong>Vínculo x Alteridade</strong></p>
<p>Há outro paradoxo no amor: ele deve ser uma união, com a condição de cada um preservar a própria integridade. Faz com que dois seres estejam unidos e, contudo, permaneçam separados.</p>
<p>O amor é o convite para sair de si mesmo. Se a pessoa estiver muito centrada nela mesma, não será capaz de ouvir o apelo do outro. É isso que ocorre com a criança, que normalmente procura quem melhor preencha suas necessidades. Quando esse procedimento continua na idade adulta, torna-se impedimento do amor verdadeiro. Basta lembrar a lenda de Narciso, que, ao contemplar seu rosto refletido na água, apaixona-se por si próprio. Isso causa sua morte, pois esquece de se alimentar, tão envolvido se acha com a própria imagem intangível. O narcisista &#8220;morre&#8221; na medida em que torna impossível a ligação fecunda com o outro.</p>
<p>Esse egocentrismo persiste na adolescência, como momento de passagem da vida infantil para a vida adulta. Por isso o adolescente muitas vezes não propriamente o outro, ser de carne e osso, <strong>mas ama o Amor</strong>. Trata-se do amor idealizado, romântico, um pouco fruto do medo desse lançar-se nas contradições do exercício efetivo do amor.</p>
<p>O exercício do amor supõe a descoberta do outro. Por isso o amor envolve o respeito, não no sentido moralista que rotineiramente se dá a esse conceito, mas como temor resultante da autoridade imposta. <em>Respicere</em>, em latim, significa &#8220;olha para&#8221;, ou seja, o respeito e a capacidade de ver uma pessoa como tal, reconhecendo sua individualidade singular. <strong>Isso supõe a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como ela é, não como queiramos que ela seja. O amor supõe a liberdade, e não a exploração: o outro não é alguém de quem nos servimos. O amor maduro é livre e generoso, fundando-se na reciprocidade.</strong></p>
<p>(&#8230;) O paradoxo da relação amorosa, colocada ao mesmo tempo como desejo de união e preservação da alteridade, dimensiona a ambigüidade em que o homem é lançado. <strong>Os sentimentos gerados também são ambíguos: são sentimentos de amor e ódio para com aquele que escolhemos conscientemente, mas <span style="text-decoration:underline;">de cuja escolha resultou o abandono de outras possiblidades&#8230;</span></strong></p>
<p>O não saber viver nessa ambigüidade leva certas pessoas ou a procurar a &#8220;fusão&#8221; com o outro, do que decorre a perda da individualidade, ou <strong>a recusar o envolvimento por temer essa perda.</strong></p>
<p>No entanto, <strong>o risco do amor é a separação.</strong> Mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade da perda. Segundo o psicanalista austríaco Igor Caruso, a separação é a vivência da morte numa situação vital: é a vivência da morte do outro em minha consciência e a vivência de minha morte na consciência do outro.</p>
<p><strong>Quando ocorre a perda, a pessoa precisa de um tempo para se reestruturar, pois, mesmo quando mantém sua individualidade, o tecido do seu ser passa inevitavelmente pelo outro. Há um período de &#8220;luto&#8221; a ser superado após a separação, quando, então, se busca novo equilíbrio.</strong></p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Uma característica dos indivíduos maduros é saber integrar a possibilidade da morte no cotidiano da sua vida.</span> E quando falamos em morte, nos referimos não só ao sentido literal, mas às diversas &#8220;mortes&#8221; ou perdas que permeiam nossas vidas. No entanto, nas sociedades massificadas, onde o eu não é suficientemente forte, as pessoas preferem <em>não</em> viver, para não ter de viver <em>com</em> a morte. Por isso, também, as relações tendem a se tornar superficiais, e é nesse sentido que o pesnador francês Edgard Morin afirma: &#8220;Nas sociedades burocratizadas e aburguesadas, é adulto quem se conforma em viver menos para não ter que morrer tanto. Porém, o segredo da juventude é este: vida quer dizer arriscar-se à morte; e fúria de viver quer dizer viver a dificuldade&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/309/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=309&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Escrever é economizar palavras</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 14:40:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Economize palavras – “escrever é economizar palavras” disse o mestre Armando Nogueira. Vejamos a história do vendedor de peixes na feira. Comerciante próspero, resolveu incrementar a barraca com a seguinte frase: “Aqui, vende-se peixe fresco”. Chamou o amigo culto para conferir se não havia erros. O amigo fez as seguintes observações: “acho que podemos apagar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=307&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Economize palavras – “escrever é economizar palavras” disse o mestre Armando Nogueira. Vejamos a história do vendedor de peixes na feira. Comerciante próspero, resolveu incrementar a barraca com a seguinte frase: “Aqui, vende-se peixe fresco”. Chamou o amigo culto para conferir se não havia erros. O amigo fez as seguintes observações: “acho que podemos apagar o “aqui”, pois todo mundo está vendo que sua barraca não está “lá”; aconselho apagar o “fresco” uma vez que o amigo não vende peixe estragado. Podemos tirar o “vende-se” já que na feira nada é de graça e, por fim, vamos tirar a palavra peixe, pois o cheiro indica o produto que está sendo vendido”. E lá se foi a placa do peixeiro.</p>
<p><em>In Marcelo Parada &#8211; Rádio: 24 horas de jornalismo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/307/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=307&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A escrita é outra – Fernando Sabino</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 04:33:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[escrita]]></category>
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		<description><![CDATA[Leio no jornal uma entrevista com o autor de Cem Anos de Solidão. Só que seu nome é Gabriel Garcia Márquez e não Marques, como saiu publicado. Não que eu seja lá muito cioso dessas coisas, pelo contrário: meus lapsos ortográficos costumam ser bem mais graves que uma simples troca do z pelo s. Fixei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=300&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio no jornal uma entrevista com o autor de Cem Anos de Solidão. Só que seu nome é Gabriel Garcia Márquez e não Marques, como saiu publicado.</p>
<p>Não que eu seja lá muito cioso dessas coisas, pelo contrário: meus lapsos ortográficos costumam ser bem mais graves que uma simples troca do z pelo s. Fixei na memória a grafia certa do nome do escritor, não só por ter sido com Rubem Braga o seu primeiro editor no Brasil, mas principalmente por causa daquela sensacional entrevista sobre ele, que dei na época a uma estagiária de um jornal do Rio.</p>
<p>- Me mandaram fazer com você uma entrevista sobre o marquês &#8211; e ela foi ligando logo o gravador.</p>
<p>- Que marquês? &#8211; estranhei.</p>
<p>- Esse que vocês editaram.</p>
<p>- Não editamos nenhum marquês, que eu saiba.</p>
<p>- O autor desse best-seller de vocês, Cem Anos de Perdão.</p>
<p>- De solidão.</p>
<p>- Ou isso: de solidão. Ele não é marquês?</p>
<p>- Não. Ele não é marquês. O nome dele é Gabriel Garcia MÁRQUEZ. Com z no fim. Se duvidar, é capaz de ter até acento no a.</p>
<p>- Então é isso. Foi confusão minha</p>
<p>- e ela não se deu por achado, muito menos por perdida, sempre empunhando um gravador junto ao meu nariz.</p>
<p>- Por que é que o livro dele está fazendo tanto sucesso?</p>
<p>- Porque é um livro muito bom.</p>
<p>- Foi por isso que vocês publicaram? Respirei fundo:</p>
<p>- Por isso o quê, minha filha? Por ser muito bom? Ela me olhou como se estivesse entrevistando uma toupeira:</p>
<p>- O que eu estou querendo saber é por que vocês publicaram o livro dele.</p>
<p>- Porque nos foi recomendado como sendo um livro muito bom. &#8211; Recomendado por quem?</p>
<p>- Pelo Neruda.</p>
<p>- Quem?</p>
<p> - Pablo Neruda. Quando ele esteve no Rio pela última vez, falou com o Rubem que se tratava do romance mais importante em língua espanhola desde Dom Quixote.</p>
<p>- Quem é esse?</p>
<p>- Esse quem? O Rubem?</p>
<p>- Não: o outro.</p>
<p>- Dom Quixote?</p>
<p>- Não: esse cara que você falou antes. O que recomendou o livro. Resolvi deixar cair:</p>
<p>- Você vai me desculpar, minha filha, mas não dá. A entrevista fica para outra vez, quem sabe. É muita honra para um pobre marquês, mas infelizmente&#8230; Ou Márquez, se você não se incomoda. No mais, muito obrigado.</p>
<p>- Eu é que agradeço!</p>
<p>Ela desligou o gravador, com ar satisfeito, despediu-se e foi embora. Tudo depende do nosso ponto de vista em relação ao assunto.</p>
<p>O meu era de frente, em relação a esta outra: uma estudante de seus dezoito anos (vestibular do curso de Letras) que vinha a ser um verdadeiro esplendor.</p>
<p> Esplendor de nossa raça, bem entendido: direi em resumo que tinha competência para passar no vestibular do que quisesse, no que dependesse de apresentação física. Sua pele era da cor de sorvete de chocolate, daquele mais claro, mas não tão fria, muito antes pelo contrário, viva e cálida como a de um fruto &#8211; cor de jambo, como se dizia antigamente, só que já não me lembro bem da cor do jambo, faz tempo que não vejo um. O rosto era brejeiro, como também se dizia antigamente. E o corpo perfeito como&#8230; como&#8230;</p>
<p>- Como?</p>
<p>- Eu perguntei o que faz um redator. Sentada à minha frente, ela deixara o eterno gravador ligado sobre a mesinha entre nós e esperava pela minha resposta, pernas cruzadas, joelhos à mostra. Descruzei as minhas:</p>
<p>- Não entendi bem a pergunta. Antes de mais nada, como é mesmo o seu nome?</p>
<p>- Lindalva &#8211; respondeu, com voz de criança.</p>
<p>- O que foi mesmo que você me perguntou, Lindalva?</p>
<p>- Eu perguntei o que faz um redator.</p>
<p>- Um redator? Um redator redige, não é isso mesmo? Mas por que você está me perguntando isso? Ela desatou as pernas:</p>
<p>- Você não é um redator? Cruzei as minhas:</p>
<p>- Bem, de certa maneira&#8230; no jornal não sou propriamente um redator, mas um cronista. Ou um colunista, se você prefere. Também redijo, não há dúvida, mas o que eu sou na realidade é um escritor.</p>
<p>- E o que faz um escritor? &#8211; ela perguntou então, inalterável. Meu Deus, ia começar de novo.</p>
<p>- Um escritor esteve &#8211; respondi, com um suspiro resignado.</p>
<p>- Não é isso que eu quero saber &#8211; reagiu ela, fazendo beicinho.</p>
<p>- Então perguntou o que você quer saber, Lindalva.</p>
<p>- Quero saber o que eu perguntei: o que faz um escritor:</p>
<p>- Um escritor é um sujeito que só sabe perguntar e não responder a perguntas. Ainda mais perguntas como essa. De repente entendi:</p>
<p>- Ah, você está querendo saber não a função que exerce um escritor, mas as qualidades intrínsecas que fazem de uma pessoa um escritor, não é isso mesmo.</p>
<p>- Isso mesmo: o que é que faz um escritor?</p>
<p>- As qualidades intrínsecas &#8211; arrematei.</p>
<p>- Qualidades o quê?</p>
<p>- Intrinsecas.</p>
<p>- Ah, sei&#8230; Ela mostrou os dentes, abrindo os lábios num sorriso. Pensou um pouco, e não lhe ocorrendo mais nada a perguntar, desligou o gravador, dando a entrevista por encerrada. Chegou a minha vez de perguntar: &#8211; Que faz uma pessoa como você, Lindalva?</p>
<p>- Como eu, como? &#8211; Como eu como? Cruzei as pernas, sem que ela descruzasse as suas:</p>
<p>- Estou querendo dizer é que acho surpreendente uma moça como você perdendo tempo em me entrevistar. Acompanhei-a até a porta:</p>
<p>- Por que não entrevista o Sargentelli, e suas lindas mulatas do Oba-Oba? Você tem futuro.</p>
<p> - Ele também é escritor? Disse-lhe que não: a escrita dele era outra.</p>
<p> - Gosto muito dos seus escritos &#8211; concedeu ela, com um trejeito.</p>
<p> - E eu dos seus.</p>
<p>- Dos meus escritos?</p>
<p>- Dos seus encantos</p>
<p>- emendei.</p>
<p>- Então tá &#8211; e ela estendeu o rosto me oferecendo a face, muito faceira, para um beijo de despedida.</p>
<p>Fernando Sabino</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/300/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=300&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frase</title>
		<link>http://eduardomarcondes.wordpress.com/2010/01/29/frase/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 03:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[C.S. Lewis]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Experience is a brutal teacher, but you learn. My God, do you learn.&#8221; C.S. Lewis<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=295&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Experience is a brutal teacher, but you learn. My God, do you learn.&#8221; C.S. Lewis</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/295/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=295&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A velocidade da informação da internet</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 23:16:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[informação]]></category>
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		<category><![CDATA[jornal]]></category>
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		<category><![CDATA[velocidade]]></category>

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		<description><![CDATA[como o pessoal do Twitter vê a evolução da internet: Jornal: &#8220;Lennon foi assassinado ontem&#8221;. Blog: &#8220;Lennon acaba de ser assassinado&#8221;. Twitter: &#8220;Lennon está dando autógrafo p/ um esquisitão&#8221; jornal: &#8220;titanic naufragou ontem&#8221; blog: &#8220;titanic acaba de bater em iceberg&#8221; twitter: &#8220;meu, esse iceberg parece q tá do meu lado&#8221;  Como eu vejo a evolução [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=269&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li><span class="entry-content">como o pessoal do Twitter vê a evolução da internet:</span></li>
</ul>
<p>Jornal: &#8220;Lennon foi assassinado ontem&#8221;. Blog: &#8220;Lennon acaba de ser assassinado&#8221;. Twitter: &#8220;Lennon está dando autógrafo p/ um esquisitão&#8221;</p>
<p>jornal: &#8220;titanic naufragou ontem&#8221; blog: &#8220;titanic acaba de bater em iceberg&#8221; twitter: &#8220;meu, esse iceberg parece q tá do meu lado&#8221;</p>
<ul>
<li> Como eu vejo a evolução da internet</li>
</ul>
<p>Jornal: Pedófilo preso com criança Blog: conheci um amigo muito legal, o tio Hugo Twitter: @<a href="http://twitter.com/tiohugo">tiohugo</a> meu sorvete preferido é o de baunilha</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/269/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=269&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crônica &#8211; O Flanelinha</title>
		<link>http://eduardomarcondes.wordpress.com/2009/04/09/flanelinhas-cobram-por-hora-na-regiao-central-de-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 12:54:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jemmarcondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Flanelinha]]></category>

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		<description><![CDATA[Inspirado em “Flanelinha cobra R$ 4 por hora no centro”, Folha de S. Paulo de domingo, 14 de dezembro de 2008 Voltou correndo para o carro depois de passar algumas horas fazendo compras no centro da cidade. Nem bem espetou a chave no contato, ouviu uma voz imperativa que parecia de uma autoridade: “O senhor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=246&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;"><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman',serif;"><em>Inspirado em “<strong><a title="Folha de S. Paulo" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1412200801.htm">Flanelinha cobra R$ 4 por hora no centro</a>”</strong>, Folha de S. Paulo de domingo, 14 de dezembro de 2008</em></span></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Voltou correndo para o carro depois de passar algumas horas fazendo compras no centro da cidade. Nem bem espetou a chave no contato, ouviu uma voz imperativa que parecia de uma autoridade: “O senhor paga 16 reais, doutor!”. Espantou-se com a dívida que acabara de assumir: “Como?”. O rapaz que esperava do lado de fora não disfarçou a impaciência: “É simples, o senhor chegou aqui às duas da tarde, agora são seis horas, o dia já vai terminando&#8230; ficou quatro horas na vaga, são quatro reais por hora, portanto&#8230; 16 reais!” </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Nosso amigo motorista continuava achando tudo muito estranho: “Mas eu estou parado na rua”. “É Dr., mas no meu trecho da rua. Se o senhor estivesse ali mais pra baixo da rua, estaria no trecho do Zóio, lá pra cima é o trecho do Maneta e aqui sou eu, Bola, ao seu dispor. Tomei conta do seu carro direitinho. Estou aqui desde que o senhor chegou. Garanto que vagabundo nenhum sequer se aproximou do seu carro. Agora é justo o senhor pagar pelo meu serviço, não é não?”. O espanto impediu nosso pobre protagonista de dizer que não. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Bola, do alto de sua autoridade como dono do trecho da rua, resolveu explicar como funcionavam as coisas por ali: “a gente estava tendo muito prejuízo, sabe, Dr.? O sujeito vinha aqui, parava o carro no início do dia, só ia embora no final da tarde e dava só uns trocados aí pra nós. Pô, não é justo, a gente chega aqui cedo, fica o dia todo e ganha só uma merreca? Não tem como&#8230; daí resolvemos fazer esse sistema do rotativo, o cara paga por hora&#8230; assim os caras ficam com medo de pagar muita grana e ralam rapidinho pra dar lugar pra outro carinha pagar também&#8230; daí a gente ganha mais uma graninha pro leite das crianças, né?” O motorista não sabia o que responder, limitava-se a fitar com os olhos arregalados aquele rapaz que não teria mais de vinte anos, e talvez fosse muito novo para ter filhos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Bola continuava sua teoria: “E sai até mais barato, o senhor vê&#8230; tem colega por aí que tá cobrando dez reais de motorista que vai ficar só uma hora&#8230; é sacanagem&#8230; mas aqui a gente cobra o justo, quatro reais por hora&#8230; veio rapidinho, vai ficar pouco tempo? Paga menos&#8230; mas se vai ficar o dia inteiro, tem que pagar mais”&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Por fim o motorista decidiu-se: “olha, meu amigo, a rua é pública e eu não vou pagar pelo seu sistema ‘rotativo’ não&#8230; aqui tem cinco reais, é tudo o que eu tenho”&#8230; Bola não se segurou: “ah, Dr., aí vai ficar pequeno, hein? O Sr. sabe, hoje em dia ta muito perigoso deixar o carro por aí, podem mexer no carro do senhor&#8230; e se a gente não recebe a gente não pode garantir nada, né? Melhor não parar mais por aqui, hein? Seu carro vai ficar marcado”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Como nosso amigo trabalhava ali por perto, achou melhor não desafiar mais, e acabou pagando os dezesseis reais. Bola voltou a se animar: “Aí sim, hein, Dr.? Olha, o número do meu celular tá aqui nesse cartão&#8230; o senhor precisando, liga pra nós que a gente até reserva uma vaguinha pra você. Tá vendo como é bom ser amigo da gente? Tô falando, só tem vantagem&#8230;”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eduardomarcondes.wordpress.com/246/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eduardomarcondes.wordpress.com/246/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eduardomarcondes.wordpress.com&amp;blog=4529954&amp;post=246&amp;subd=eduardomarcondes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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